PEREIRA FILHO, Manoel José

Natural de Porto Alegre (RS), em 10 de fevereiro de 1888. Filho de Manuel José Pereira e Belmira Martins Pereira. Realizou seus estudos primários na Escola Brasileira dirigida por Inácio Montanha e secundários no Ginásio São Pedro, em Porto Alegre. Diplomado em Farmácia no ano de 1907 e em Medicina em 1910 pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Realizou o Curso de Microbiologia no Instituto Osvaldo Cruz, Rio de Janeiro, em 1913-1914. Interno da Clínica Obstétrica e Ginecológica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, 1909-1910. Assistente de Química na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, 1912, e de Microbiologia na mesma Faculdade, no ano de 1914. Catedrático de Microbiologia em 1932. Diretor da 9a Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, 1915. Fundador do Instituto Pereira Filho, em 1916, essa Instituição é reconhecida como de utilidade pública pelo Decreto Federal no 22486. No Instituto Pereira Filho, foram executadas inúmeras teses de médicos e farmacêuticos e também eram realizados exames gratuitos para enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Em 1918, foi designado para exercer a chefia do laboratório de Biologia do Instituto Borges de Medeiros e, em 1920, foi nomeado bacteriologista da Diretoria de Higiene. Em 1925, examinou as águas do Rio Guaíba, Jacuí e Caí, a fim de se localizarem os melhores pontos de captação de águas, sob o ponto de vista bacteriológico, para o abastecimento público da cidade. Em 1926, foi designado Diretor da Enfermaria de Medicina do Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Porto Alegre. Em 1930, a mesa administrativa da Santa Casa de Misericórdia denominou a 24a Enfermaria (pele e sífilis) de Enfermaria Comendador Manuel José Pereira e nomeou-o seu Diretor efetivo. Em 1932, foi nomeado professor Catedrático de Microbiologia da Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Em 1934, foi eleito presidente efetivo do Sanatório Belém, sendo considerado o seu principal fundador. Este Sanatório prestou amparo a milhares de tuberculosos e constituiu-se numa verdadeira escola de tisiologistas. Em 1951, foi convidado pelo Presidente Getúlio Vargas para exercer a direção do Serviço Nacional de Tuberculose, com sede no Rio de Janeiro. Nesse serviço, desenvolveu intensa atividade, dinamizando-o e dando nova orientação ao combate da tuberculose. Foi com seu apoio que foi criado um pavilhão anexo a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e que leva hoje o seu nome “Pavilhão Pereira Filho” e que é considerado um grande centro de tratamento de doenças pulmonares. Realizou estudos sobre a imunização antituberculosa estudando a parte experimental do B.C.G contribuindo para o início da vacinação antituberculosa. Inaugurou, ao lado do Instituto Pereira Filho, o Dispensário Antônio Fontes, destinado a fornecer gratuitamente a vacina B.C.G. Apresentou em 1933, à Sociedade de Medicina de Porto Alegre, estudo do primeiro caso de febre ondulante pela Brucella abortus bovis, comprovado pela hemocultura observado no Rio Grande do Sul. Realizou o diagnóstico bacteriológico do primeiro caso de meningite cérebro espinhal, observado em Porto Alegre (comunicado feito na Sociedade de Medicina de Porto Alegre em 1920). Isolou, pela primeira vez no RS, o Actinomyces bovis. Identificou um cogumelo ainda não identificado denominado Monilia Aldoi, dedicado ao professor Aldo Castelani, do Instituto Ross de Londres (cogumelo patogênico). Identificou uma nova espécie de esporotricado que denominou Sporotriculum fonsecai (Esporotricado patogênico). Identificou um cogumelo ainda não identificado que denominou Piedraia sannentoi, dedicado ao professor Sarmento Leite. Realizou o estudo bacteriológico completo que possibilitou o reconhecimento da Exotima A do Clostridium botuliun no escabeche do peixe que permitiu com segurança o diagnóstico dos primeiros casos de botulismo humano observados no Brasil, estudo publicado em número especial na Revista Medicina e Cirurgia da Divisão de Pronto Socorro Municipal de Porto Alegre. Tem entre seus inúmeros títulos: Membro Benfeitor da Societé de Medicine et D’hygyeve Tropicalles de Paris; Sócio Benfeitor da Cruz Vermelha Brasileira em razão de valiosos serviços que prestou à Cruz Vermelha; Professor Honoris-Causa da Faculdade Fluminense de Medicina; Professor Catedrático de Microbiologia da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre; Sócio Benemérito do Centro de Estudos médicos do Serviço de Tisiologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro; Membro Honorário da Sociedade Brasileira de Tuberculose; paraninfo de diversas turmas da Faculdade de Medicina e Farmácia; homenageado pelo Dr. Valdemir Miranda da Faculdade de Medicina do Recife que lhe dedicou um novo esporotricado identificado por este pesquisador – Sporotrichum pereirai; Membro da American Microscopial Society; Membro da The American Association forthe advancement of science; Membro da Mycological Society of America. Fez pesquisas pioneiras em nosso meio e muito publicou. Irmão de Oscar Pereira, foi pai de Arthur Pereira, e tio de vários médicos. Patrono da cadeira 45 da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Publicou, entre outras obras: Novas Diretrizes na Campanha Nacional Contra a Tuberculose, Rio de Janeiro, Gráf. Sauer, 1951. “Os fungos e a blastomicose dos índios do Alto Xingu”, Revista de Medicina do RS, P. Alegre, n.79, set./out. 1957. “Diagnóstico biológico do surto de botulismo humano no Pronto Socorro de Porto Alegre”, Medicina e Cirurgia, P. Alegre, v.19, n.2, maio/ago. 1958.

FRANCO, Álvaro; RAMOS, Sinhorinha Maria. Panteão Médico Riograndense: síntese cultural e histórica. São Paulo: Ramos e Franco Editores, 1943, p.550.

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