MACHADO, Dyonélio Tubino

Natural de Quaraí (RS), 21 de agosto de 1895 - 19 de junho de 1985, Porto Alegre (RS). Filho de Silvio Rodrigues Machado (funcionário de um saladeiro) e Elvira Tubino Machado. A partir de 1903, iniciou suas atividades profissionais como vendedor de bilhetes de loteria, balconista e monitor de classes atrasadas na escola pública. Em 1912 transferiu-se para Porto Alegre (RS), onde concluiu o curso secundário. Retornou a Quaraí (RS) e fundou o Jornal “O Martelo” e também lecionou em escola pública, por 7 anos. Volta a Porto Alegre (RS), em 1921, e funda o jornal “A Informação”, ligado ao Partido Republicano, fechado no ano seguinte, em razão dos ataques dirigidos ao governo central. Permaneceu em Porto Alegre (RS) até 1914. Quando inicia na Europa a 1ª Guerra Mundial, retorna para Quaraí (RS). A partir de 1915 passou a publicar artigos e fazer colaborações em alguns jornais: A Gazeta do Alegrete (RS), o Correio do Povo em Porto Alegre (RS), o Diário de Notícias em Porto Alegre (RS) e o Diário Carioca (RJ). Diplomou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1932, defendendo a tese “Uma Definição Biológica do Crime”. Fez especialização em psiquiatria no Rio de Janeiro. Foi um dos principais responsáveis pela divulgação da psicanálise no Rio Grande do Sul. Em 1928, fez concurso público para ser funcionário do Hospital Psiquiátrico São Pedro e trabalhou por 30 anos, chegando a ser diretor da instituição. Atuava também em consultório em Porto Alegre (RS). Em 1934, envolve-se na greve dos gráficos da Livraria do Globo, em Porto Alegre (RS), num protesto pela dissolução da Aliança Renovadora Nacional. É preso num quartel militar, na Praia de Belas. Após ser solto, vai para o interior. Em 1935, por ocasião da Intentona Comunista, é preso novamente e é enviado para o Rio de Janeiro e na cadeia adere ao Partido Comunista, pelo qual se elegeu deputado constituinte, em 1947 da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O partido é dissolvido e seu mandato é cassado. Decepcionado, afastou-se por quase 20 anos da carreira política e do mercado editorial, dedicando-se à medicina e escrevendo romances. Apenas em 1966, com a reedição de Os Ratos, volta à cena literária, publicando, nas décadas seguintes, obras inéditas. Aos 7 anos escreveu seus primeiros versos: As Calças do Barbadão, poema que descrevia um episódio envolvendo pobreza familiar e a costura de uma calça. Publicou os Livros: Política contemporânea. Porto Alegre: Globo, 1923; Um pobre homem. Porto Alegre: Globo, 1927; Uma definição biológica do crime. Porto Alegre: Globo, 1933; Os ratos. São Paulo: Nacional, 1935; O louco do Cati. Porto Alegre: Globo, 1942; Eletroencefalografia. Porto Alegre: Globo, 1944; Desolação. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944; Passos perdidos. São Paulo: Martins, [1946]; A alimentação no Rio Grande do Sul; alguns aspectos. Porto Alegre: Assembleia Legislativa (RS), 1947; Deuses econômicos. Rio de Janeiro: Leitura, 1966; Prodígios. São Paulo: Moderna, 1980; Endiabrados. São Paulo: Ática, 1980; Nuanças. São Paulo: Moderna, 1981; Sol subterrâneo. São Paulo: Moderna, 1981; Fada. São Paulo: Moderna, 1982; Ele vem do fundão. São Paulo: Ática, 1982; Memórias de um pobre homem. Porto Alegre: IEL, 1990. Pesquisa, organização e notas de Maria Zenilda Grawunder; O cheiro de coisa viva: entrevistas, reflexões dispersas e um romance inédito: o estadista. Rio de Janeiro: Graphia, 1995; O pensamento político de Dyonelio Machado. Porto Alegre: Assembleia Legislativa (RS), 2006 (Coord. Escola do Legislativo “Deputado Romildo Bolzan”). Em 1934 traduziu a obra Elementos de Psicanálise de Edoardo Weiss, leitura obrigatória na introdução à psicanálise. Foi médico psiquiatra. Jornalista, contista, ensaísta, romancista e Político. Em 1977, recebe o Prêmio Especial de Crítica de São Paulo e é empossado na Academia Rio-Grandense de Letras, na cadeira de Eduardo Guimarães. Em 1985 recebeu a Comenda Ordre des Arts et des Lettres, do governo francês, concedida poucos dias antes da morte de Dyonelio. Dois anos antes, o romance Os Ratos havia sido publicado na França. Em vida recebeu várias distinções literárias: os prêmios Machado de Assis, Felipe D’Oliveira, Jaboti e Fernando Chinaglia. É patrono da cadeira no 19 da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Casou-se em 1927, com Adalgiza Martins, professora de música. Teve dois filhos: Cecilia e Paulo.

FRANCO, Álvaro; RAMOS, Sinhorinha Maria. Panteão Médico Riograndense: síntese cultural e histórica. São Paulo: Ramos e Franco Editores, 1943. p. 527

https://www.ufrgs.br/famed/index.php/informacoes-academico-medicina/formados/72-decada-de-1930

ttps://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa459626/dyonelio-machado

https://ww1.pucrs.br/delfos/?p=machado

http://www.muhm.org.br/biografiasdigitalizadas/05103d6ba26208a36c2d95a034b9340d/ati_321.pdf

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