MARIANO DA ROCHA FILHO, José

Natural de Santa Maria (RS), em 12 de fevereiro de 1915 - 5 de fevereiro de 1998, em Santa Maria (RS). Filho de José Mariano da Rocha e Maria Clara Marques da Cunha Mariano da Rocha. Estudou no Ginásio Santana, Ginásio Santa Maria e Ginásio Estadual Santa Maria, que concluiu em 1931, todos em sua cidade natal. Formou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1937. Foi presidente do Centro Acadêmico Sarmento Leite entre os anos de 1935-1936, da Federação de Estudantes Universitários de Porto Alegre (FEUPA) e da Casa do Estudante, que organizou. Foi o vencedor do prêmio Carlos Chagas, por haver obtido distinção nas cadeiras de Microbiologia, Parasitologia, Dermatologia e Sifiligrafia. Foi interno de vários serviços clínicos e cirúrgicos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Fez diversas viagens de estudos para Argentina e Uruguai entre os anos de 1936 e 1943. Em 1939 estagiou em Córdoba, frequentando cursos de Tisiologia a convite do Professor Pavlowsky e dos professores Ricardo e Enrique Finochietto. Completou os cursos de aperfeiçoamento em Técnica Operatória, com professor Bruno Marsiaj em 1937; Curso de Clínica Pediátrica de Médica e Higiene Infantil com professor Décio Martins Costa, em 1937 e o Curso de Cirurgia Geral e Neurológica com o professor Finochietto, em 1941, e de especialização em Parasitologia com o professor Cesar Pinto no mesmo ano. Após a formatura retornou a Santa Maria, onde atuou como professor e diretor da Faculdade de Farmácia. Criou um órgão para lutar pelo ensino superior na cidade e através deste conseguiu que a Faculdade de Farmácia de Santa Maria fizesse parte da Universidade de Porto Alegre. Em 1954 fundou a Faculdade de Medicina de Santa Maria, que posteriormente deu origem à Universidade de Santa Maria, a primeira universidade federal localizada no interior do Brasil. Criador da Cidade Universitária, que leva seu nome, participou da instalação do Campus Universitário Avançado, localizado em Roraima. Mantendo intercâmbio internacional intenso, instalou a chamada Faculdade Interamericana de Santa Maria. Além da sua atuação ligada à vida universitária, trabalhou como Cirurgião do Hospital de Caridade de Santa Maria; Foi Capitão Médico da Brigada Militar do Estado; Chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital da Brigada Militar em Santa Maria; Médico da Caixa de Aposentados e Pensionistas dos Ferroviários de Santa Maria, desde 1938 e da Sociedade de Medicina da mesma cidade, além de ter sido membro do Conselho Regional de Medicina. Além das atividades ligadas a Medicina foi presidente da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, líder ruralista e disputou a eleição para Senador da República. Foi considerado o cidadão santa-mariense do século e através de concurso de indicação popular instituído pela Zero Hora foi o mais votado como destaque entre os gaúchos do século. Cidadão emérito de Santa Maria, cavalheiro da Ordem Nacional do Mérito, recebeu muitas comendas e títulos honoríficos em diversos países. Foi da Academia Rio-Grandense de Letras e ocupou a cadeira 42 da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, cujo patrono é seu pai, José Mariano da Rocha, e que hoje é ocupado por Blau Fabrício de Souza. Casou-se com Maria Zulmira Velho Dias, com quem teve os filhos Maria de Lujan, Mariana Giselda e José Mariano da Rocha Neto. Publicou as seguintes obras: “Buenos Aires por um médico”, seis artigos, Diário do Interior, id, 1938-1939. “Novos rumos da microbiologia”, aula inaugural na Fac. de Farmácia de S. Maria, ibid, jun./out. 1939. “A cirurgia na República Argentina”, v.5, n.3, 1943. “A Universidade de Santa Maria”, Revista do IHGSM, S. Maria, n.1, abr. 1962. A Contribuição Brasileira ao Conhecimento da Bacteriologia, aula inaugural na Fac. de Farmácia de S. Maria, id, 1945. Alguns Aspectos da Cirurgia Norte-Americana, conferência no Departamento de Cirurgia da AMRIGS, P. Alegre, 25 set. 1953. A Universidade Brasileira, in Livro do Ano da Barsa – 1974, Enciclopédia Britânica. Rio de Janeiro/São Paulo, 1974. A Terra, o Homem e a Educação: Universidade para o Desenvolvimento, Editora Pallotti, Santa Maria, 1993. Há uma coleção de entrevistas, aulas inaugurais e conferências no Estado e em lugares como Bragança Paulista, Resende (RJ) e Goiânia. No exterior, há registros em lugares como Houston, Havaí, Bonn, Munique e Guadalajara.

FRANCO, Álvaro; RAMOS, Sinhorinha Maria. Panteão Médico Riograndense: síntese cultural e histórica. São Paulo: Ramos e Franco Editores, 1943, p. 529 - 530.

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